domingo, 16 de dezembro de 2007

*** ENTREVISTA COM PAULO BOSCHETTI ***


ENTREVISTA SOBRE TENDÊNCIAS E ATUALIDADES EM TESTES DE SOFTWARE COM PAULO BOSCHETTI











-MOLINARI:
Pessoal, a idéia hoje aqui é conversarmos
com Paulo Boschetti, Vice-Presidente de O&T da
MZP Software Testing sobre tendências e diversos
aspectos de Testes de Software.
Paulo além de Vice-Presidente de O&T, tem larga
experiência em práticas de testes em mais de 25 anos
de mercado, é portanto um profissional que dispensa
apresentações. Paulo, como é de praxe aqui no Blog,
conte-nos um pouco de sua história profissional até
chegar onde você chegou na MZP. Fique a vontade e seja
bem vindo.

-PAULO: Comecei cedo. Com 17 anos já era programador Basic,
desenvolvendo sistemas de automação comercial.
Poucos anos depois já era responsável pelo
desenvolvimento do módulo financeiro de um dos mais populares
ERP´s brasileiros. Procurando novos desafios em 1992,
me envolvi com projetos
de downsizing e conversão de Sistemas, quando tive
que dedicar às atividades de testes de forma mais efetiva
e quando me apaixonei pelo assunto. Desde então
tenho me dedicado a esta paixão e tive a felicidade de trabalhar
com os principais fornecedores de ferramentas
de testes e Prestadores de
serviços de testes de mercado Mundial e Nacional.
A chegada na MZP se deu em Março de
2007, onde a assumi a Vice-Presidência de Operações e
Tecnologia e a responsabilidade de conduzir
a implementação dos serviços
especializados de Teste de Software para o
mercado nacional e internacional.

-MOLINARI: Paulo, o que está acontecendo com o Mercado
de Testes? Virou de pernas pro ar? Em cerca de 5 anos
a Rational é comprada pela IBM, a Mercury é comprada
pela HP, a Segue é comprada pela Borland. A Compuware
que estava com as vendas não muito aquecidas, de uma
hora para a outra está voltando a carga. Em 5 anos
surgiu "N" soluções Opensource que tem sacudido o
mercado. A Radview abre o código do Webload e é
aplaudida por diversos analistas. No Brasil estamos
vivendo uma febre de certificações de Testes. Deu a
louca em todo mundo?

-PAULO: Acredito que agora caiu a ficha para o mercado que
teste de Software não é "um mal necessário" e sim uma
atividade tão importante quanto o desenvolvimento.
Estamos deixando de ser o patinho feio do TI e nos
tornando importantes comparados a um passado recente.
O Y2K (Bug do milênio) deu o
inicio e as recentes aquisições comprovam esta mudança.
Para a MZP o maior indicador disto foi o nosso rápido
crescimento em 2007 e as previsões otimistas
para o mercado de testes em 2008.

-MOLINARI: A Mercury neste mercado de testes sempre
teve um papel chave. Quase metade das vendas mundiais
de soluções de Qualidade de Software estão em suas
mãos. Dois anos de ser vendida para a HP, ela comprou
diversas empresas de testes menores, inclusive menos
de 3 meses antes de ser vendida havia comprado uma.
Estão dizendo que a HP hoje está com foco forte nas
soluções de Testes. O que você acha que a HP/Mercury
pode "aprontar" trazendo mais novidades para este
mercado?

-PAULO: Com a aquisição da Mercury a HP aumentou seu
portfolio de produtos e clientes de maneira significativa.
Ainda é cedo para saber qual é o futuro
disto, porém acredito que devemos ter boas novidades
em breve. O momento é de transição assim como na Borland.
O que tenho observado é que para as duas
empresas o assunto esta sendo tratado de forma séria e
o teste de software deve aumentar
a sua participação de suas receitas.
Estou comentando sobre a Borland, pois não podemos esquecer
que historicamente a Segue sempre esteve
muito próximo da Mercury e nos EUA a Segue sempre foi
considerado o seu maior competidor em popularidade
entre os profissionais de teste.

-MOLINARI: Tem um tópico delicado no que se refere a
Mercury. Antes de sua venda para HP, parece que houve
um problema (em menor escala) entre os executivos e
parte de seus acionistas que não queriam vender a
empresa. Recentemente um grupo de acionistas que
controlava uma parte da Mercury ganhou uma ação no
qual os executivos não avisaram aos antigos acionistas
sobre informações que deviriam ser avisadas. Segundo
diversos analistas, a Mercury foi vendida por que "seu
balanço estava ficando" complicado e em médio prazo a
empresa iria estourar causando diversos problemas para
todos. A venda evitou a bomba. A HP acabou de sanear
as finanças da antiga Mercury, segundo fontes
oficiais. O que você acha desta loucura toda e até
onde isto tudo pode afetar o mercado de testes?

-PAULO: Vejo com naturalidade o fato, as incorporações
de empresas sempre ocorreram.
Certas empresas acabam se tornando atraentes
e alguma maior vem e da o bote. Tanto no caso da
Mercury como da aquisição da Segue pela Borland,
quem vai ganhar é o consumidor,
pois estas empresas possuem uma maior capilaridade e melhor
suporte técnico, facilitando assim o acesso aos seus
produtos e serviços.

-MOLINARI: Quem vençe a luta do lado das ferramentas
pagas? Ainda há espaço para novos players no mercado
pago?

-PAULO: Apesar dos números deste mercado apresentar
um líder esmagador o que vejo é que as ferramentas
possuem um conjunto de funcionalidades compatíveis
e as mesmas possuem muitas similaridades. Fazer uma
escolha não é tarefa trivial a briga é de cachorro grande e
acredito que quem vai ganhar é aquele que estiver mais
presente em seus clientes.
Com certeza acredito que existe espaço para outras empresas.
Empresas como a AutomatedQA (www.automatedqa.com)
possuem ferramentas fantásticas e mostram que é
possível sonhar com um lugar ao sol neste mercado promissor.

-MOLINARI: Quem vençe a luta ferramentas pagas ou
opensource? O que você acha disto tudo?

-PAULO: Acho que quem vence a luta somos nós profissionais
de testes que tem mais opções para conduzir a automação de
nossas atividades de forma mais organizada e prática.

-MOLINARI: Dentre as novidades tecnológicas em testes
de software, o que você tem pra contar? Testes com uso
de Inteligência Artificial? Será que chegaremos lá um
dia?

-PAULO: Não tenho visto nada significativo. As empresas
adaptam suas ferramentas paras as novas tecnologias e pronto.
Acredito que inovações
virão, só que com o cenário nacional e falta de investimento das
universidades no ensino de Testes e uma política
de P&D abrangente,
dificilmente o Brasil vai estar na linha de frente.

-MOLINARI: Qual a importância e o papel dos Testes
Funcionais e dos Testes de Performance num grande
projeto de teste?

-PAULO: São duas ferramentas vitais para garantir a
qualidade de qualquer sistema sério e em maior escala,
ferramenta para garantir o emprego dos Gerentes de Projeto.
Brincadeiras a parte os sistemas que desenvolvemos hoje
em dia requerem maior qualidade e performance que
são obtidas com a ajuda dos
testes funcionais e de Performance.

-MOLINARI: O que é melhor : planejar os testes ou
executar testes aleatórios voltados ao contexto?
Existem defensores de ambas as correntes.

-PAULO: Acredito que a combinação das duas alternativas
cabem perfeitamente em qualquer projeto. O formalismo
na atividade de teste possibilita a perenização do conhecimento
da atividade de testes (Todo Testware deve ser armazenado
e versionado como qualquer outro produto da atividade
de desenvolvimento de sistemas).
A questão é que o formalismo exige a documentação
dos testes o que toma tempo.

Já a atividade de Teste Exploratório, adhoc ou aleatório
voltado ao contexto devido ao seu informalismo depende
da criatividade do Testador e de sua experiência pregressa,
contribuindo para a qualidade do sistema,
porém não deixando um legado concreto (O Plano de Testes)
para os projetos. O que tenho percebido é a introdução de
ferramentas (www.sirius-sqa.com) para apoiar e documentar
o teste exploratório eliminando este ponto negativo
desta técnica muito interessante.

-MOLINARI: A MZP, para quem não sabe é parceira oficial
deste Blog, tem feito um ótimo trabalho em testes e
você sabe que aqui no Blog não existe "puxa-saquismo".
A transparência aqui é verdadeira, seja para o bem ou
para o mal. Quais os próximo planos da empresa, pois
os seminarios ministrados por você tem sido um
sucesso? Pode contar ou é "segredo de estado"?

-PAULO: Em 2007 dedicamos todos os esforços para
fortalecer nossa empresa e tivemos a felicidade de exercitar
todos os produtos e serviços que
concebemos no inicio das atividades. Começamos tudo com
os projetos de Offshore (EUA, Brasil e Índia),
diverso projetos de automação
(Borland, HP, Rational e Opensource), avaliação de
Maturidade de Testes by TMM Model,
Alocação de profissionais e finalizando treinamento
e WorkShops.
Em relação aos planos para 2008, posso afirmar que em
poucos dias estaremos divulgando nossa grade
de Treinamentos incluindo cursos de Ferramentas de Testes,
SQA e formação de Profissionais de Teste de Software.
Alem disto temos algumas surpresas reservadas
para 2008 que serão divulgados no momento oportuno.

-MOLINARI: Para quem deseja se iniciar em testes de
software, quais seriam os passos? Ler tudo, e se
certificar resolve? Sair fazendo cursos resolve? Tem
muita gente que deseja se iniciar nesta área.

-PAULO: Quando comecei na área em 1992 não existiam
comunidades de Testes no Brasil ou qualquer tipo de ensino
relacionado ao assunto, portanto minha
fonte básica de conhecimento foi a leitura
(É um absurdo a ausência da
matéria Teste de Software no ensino superior
no Brasil nos dias de hoje
na grande maioria das instituições de Ensino!).
Portanto acredito que esta seja
uma boa forma de entrada no assunto.
Quando a Internet apareceu às facilidades aumentaram e hoje
qualquer pessoa pode ter acesso a muita informação
de boa qualidade.
A grande questão que vejo com as certificações
diz respeito ao seu conteúdo e a forma de avaliação.
Existe uma industria de
certificação e os profissionais precisam estar atentos com certas
instituições caça-níqueis que estão por ai.
Portanto a minha dica sobre certificação é a seguinte:
Procurem um órgão certificador que
seja reconhecido de forma abrangente e
seja respeitada por tal e comece fazer
economias para poder pagar as altas taxas de inscrição
e de seus cursos de preparação.

-MOLINARI: Para terminar, deseja contar-nos alguma
novidade ou algo que deseja colocar por último?

-PAULO:
Leonardo obrigado pela oportunidade de falar
sobre este assunto apaixonante e espero poder voltar aqui e
trazer novas idéias e pensamento sobre o Teste de Software.

-MOLINARI: Muito obrigado seja bem vindo sempre ao blog!

3 comentários:

afjunca disse...

Gostaria de parabenizá-los pelo ótimo conteúdo da entrevista e especialmente ao Molinari que tem sido um incansável disseminador da disciplina de teste de software no brasil.

Alex Junça
ajunca@dba.com.br

Leonardo Molinari disse...

Oi Alex...

Muito obrigado pelo comentário. A entrevista foi feita de forma meticulosa para que o leitor tivesse noção do que tem acontecido no mundo de testes.

Quanto ao termo "disseminador", fico também feliz pois faço isto a muitos anos. É igual a você cuidar de uma planta: muita paciência e dedicação.

Um abraço forte,

Leonardo Molinari

Demóstenes Amorim disse...

Leonardo,

Meus parabéns pela entrevista foi uma ótima contibuição para mim que estou ingressando nessa área que como você falou é muito apaixonante mesmo. Adquiri seu livro "Teste de software" 3ª edição e estou adorando o livro. Comecei a trabalhar a 3 meses nessa área e estava meio perdido no começo e graças ao seu blog e suas matérias estou conseguindo me situar, e espero poder participar mais ativamente e crescer sempre mais nessa área.

Obrigado !!

Demóstenes Amorim
demostenesmagalhaes@gmail.com