quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Conto Tecnológico - O Testador Vampiro



Título: O testador vampiro

Autor: Leonardo Molinari
Texto:

A data é post mortem. O momento é algum tempo antes do Dunga sair da seleção. A hora, a que você imaginar caro leitor. Afinal, o texto aqui é a la carte...

Não se sabe quando funcionário Edinho, mais conhecido Ed-in para os mais intimos, optou por só trabalhar na parte da tarde. Mas era fato que ninguém reclamou. Afinal, ele entregava o que era pedido.

- Teste isso, dizia um gerente para Edinho quando indica o que deseja que fosse testado.
- Beleza. Tô no foco chefia! Respondia Edinho...

O tempo passou, e o contato com o chefe que era ao vivo passou a ser por e-mail.

Edinho ia se distanciando cada vez mais das pessoas. Estava sempre escutando o seu MP-3, MP-4 ou sei lá o que. O fato de chegar cada vez mais tarde e estar cada mais distante deixou o Edinho relaxado. Desatendo. Relapso. Distraído com seu trabalho. Vagabundo de terno.

Teve um dia que Edinho estava literalmente de "saco cheio". Resolver "enrrolar" o teste. Testou o minimo do mínimo. Não leu todo o texto que definia as necessidades do cliente que deveriam ser validadas em paralelo aos casos de testes planejados. O fato é que naquela preguiça ele deixou passar uma validação importante bem simples no sistema de cadastro para um hospital. Era uma simples restrição de idade para exames que envolviam radioatividade e alguns remédios que quando combinados poderiam causar problemas futuros de  saúde. Se o cliente estive fazendo uso daqueles remédios e tivesse em idade acima da permitida era algo proíbido.

O sistema entrou em produção. Nada foi detectado. E o cliente estava feliz da vida.

Quase 6 meses depois de entrar em produção em uma bela tarde, um senhor com 10 anos de acima do limite permitido e que estava tomando o conjunto de remédios com a devida restrição apareceu. E na hora do cadastro, a enfermeira se espantou e disse:

- Sistema aceitou o Sr.? Se está aceito e o sistema é o que chefe quer, quem sou sou eu para questionar?...

O pobre Sr. fez o seu exame. Algumas semanas depois ele estava muito doente. A combinação do remédio com o exame com a devida restrição era um fato perigoso.

Três meses depois o pobre Sr. morreu por conta de sua doença. No mesmo dia o Ed-in ganhou uma promoção no seu trabalho por ter realizado um dos melhores testes dentro da empresa, segundo o chefe de Ed-in. O prêmio foi pelo teste no sistema de cadastro do hospital. Ele estava no topo, porém os seus hábitos não mudaram.

O pobre Sr. morreu e a família mal teve como pagar o seu enterro. No mesmo dia do enterro, Ed-in foi com a namorada a um barzinho onde morava e saiu bêbado pela comemoração já de madrugada. Entrou no carro e disse bem alto:

- Eu tô nem aí, tô bebado e vou dirigir assim mesmo. Se algum idiota me parar eu suborno o Zé-mané. Sacou muié?

Cerca de 72 horas depois Edinho acordou em um hospital. Estava paralítico das duas pernas.

Ao acordar e tomar consciência, se perguntou:

- O que eu fiz meu Deus? O que eu fiz?...

2 comentários:

kzao disse...

Não entendi ¬¬

Leonardo Molinari disse...

Oi,

existem várias morais e interpretações. Uma delas é que pagamos pelo nossos erros. Em algum momento nossa irresponsabilidade será cobrada pela via. Testar requer compromisso e responsabilidade.
[]s
Leonardo Molinari